segunda-feira, 19 de julho de 2010


Apercebi-me, neste momento, que construi um mundo. Um lugar em que nunca me sinto sozinha. Um lugar onde me sinto em casa. Agora é tarde demais para o desfazer, para o destruir. Tenho que saber viver nele, criar as minhas defesas e correr pela vida. E, agora, vou viver nele sozinha. No fundo estou exausta, sem força para chamar o quer que seja. Vou aproveitar e fazer o que fiz esta manhã: sonhei.. mas sonhei como ha muito nao sonhava. Quando senti os raios de sol a tentarem me acordar, fechei os olhos com muita força, aconcheguei-me e procurei continuar sonhar.. Sabia que assim que abrisse os olhos que ele iria desaparecer, e como quase sempre, não me iria lembrar dele hoje. Entao, deixei-me ficar de olhos fechados e hoje vivo um dia com aquele saborzinho bom de ter vivido algo esta noite tão meu, tão secreto,tão(ir)real mas que vou levar até todos..

quinta-feira, 1 de julho de 2010


"Dói desfalecer laços": Ela teve que o fazer. Teve que começar a viver a sua vida sem o seu sorriso. Teve que voltar a viver por ela. As maõs tinham deixado de estar juntas, os passos tinham deixado de seguir o mesmo caminho. Durante todo o caminho que seguiram juntos, ela reparou, que por vezes, que só um caminhava. Voltava atrás. Desenhava as pegadas que faltavam. Ao fazer isso o seu caminho tornava-se mais longo e cansativo. Sabia que iria chegar a uma dada altura que não teria força para desenhar e, muito menos, para seguir. Os seus dedos deixaram de obedecer-lhe, já não tocavam na terra para fazer uns simples traços. Seguiu.. Desenlaçaram os seus dedos, tocaram-se, mas seguiram separados. Ambos tinham caminhos longos. Teve que guardar memorias, teve que guardar momentos bem guardados. Teve que os fechar durante muito tempo. Recordar fazia-a a ficar sem forças, fazia-a dar passos atrás. Teve que se esconder de imagens, evitar cheiros e sabores. Fechou-se nela própria. A necessidade de respirar, de se sentir livre dela mesma fazia-a não recuar. Era demasiado nova, demasiado frágil para tantas cicatrizes. Precisou de fechar portas a sete chaves, deixar outras encostadas e outras abertas. Havia muitas que a deixavam sem chão, havia muitas onde não podia entrar e outras inevitaveis de seguir.